Por que Matutações não assina a petição Nossa Amazônia

O CEO do ICANN Rod Beckstrom (na mesa, à esquerda) anuncia a criação de novos nomes de domínio. A Amazon é apenas a nossa ponta de um iceberg que ameaça a todos. (Clique para ampliar)
A petição Nossa Amazônia foi iniciada recentemente na rede para tentar bloquear o registro do nome “.amazon” pela empresa Amazon.
Unir esforços contra a Amazon é combater o sintoma, não a doença.
A doença é o ICANN e o atual estado da governança da Internet.
Narrativas da cooperação Brasil-África: novos paradigmas?
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As narrativas oficiais diplomática e… |
… comercial |
Análise da cooperação brasileira para o desenvolvimento agrícola em África.
O estudo foi encomendado pelos britânicos, tendo como co-autora a brasileira Lídia Cabral.
Uma análise lúcida, mas que também deve ser lida no contexto do incômodo de países ricos (especialmente a Inglaterra) com a emergência de novos atores na cooperação para o desenvolvimento em África (Brasil, China, Índia, etc).
A África não está em nós

Apesar dos evidentes laços históricos e culturais que unem o Brasil à África, os brasileiros só têm desse continente imagens estereotipadas.
O quadro agrava-se quando esses laços passam a ser invocados como justificativa simbólica para o estreitamento de relações com o continente, acabando por, ao invés de aproximar os povos, enclausurá-los ainda mais nesses estereótipos – isolando-os, em suma.
O ex-presidente Lula, durante a sua investida diplomática (e comercial) em África, falou reiteradamente em “dívida moral do Brasil com relação à África”, na irmandade que nos une, etc, mas a única dinâmica que disso resultou foram alguns acordos de cooperação para o desenvolvimento (principalmente agrícola), polpudos contratos de transnacionais brasileiras (Vale, Odebrecht) e garantia de votos africanos em organismos multilaterais (por exemplo, na eleição de Graziano para a FAO). Não que essas coisas não possam ter a sua importância (a ver para quem, cá e lá), mas nós, simples e mortais trabalhadores brasileiros, continuamos a olhar para a África à distância (quando nos lembramos dela), e sob o eterno e mítico prisma dos estereótipos.
Uma interessante pesquisa conduzida pelo Professor Anderson Ribeiro Oliva, do Departamento de História da Universidade de Brasília, levanta de forma mais sistemática os indícios dessa grave ignorância.
G8 contra-ataca a Cooperação Sul-Sul: mais um lance da disputa capitalista travestida de boas intenções
![]() Pascal Canfin, Ministro Delegado francês para a Cooperação para o Desenvolvimento |
![]() Justine Greening, Secretária de Estado britânica para a Cooperação para o Desenvolvimento |
De um lado, o Norte, o Ocidente, o G8: fala-se em Ajuda, ou Ajuda para o Desenvolvimento, embora o conceito, originalmente estabelecido por este grupo de países, refira-se a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento ou simplesmente Cooperação para o Desenvolvimento. Fala-se em doadores e receptores. Organizações típicas: USAID (Estados Unidos) e DFID (Inglaterra), para citar as mais poderosas em termos políticos e econômicos. Estabelece-se, implícita ou explicitamente, uma relação vertical, paternalista, onde se supõe que o receptor da ajuda deva não só receber recursos financeiros como também adotar modelos de governança que repliquem os valores éticos e gerenciais dos doadores: há condicionalidades explícitas. Pretende ser apolítica, mas replica, agora com as roupagens politicamente corretas da boa governança e da luta contra a corrupção, o velho padrão colonialista europeu da missão quase divina de civilizar os selvagens.
Conscientizar?
Os portugueses não dizem “conscientizar“, zelosos que são da sua língua mater, e muitos torcerão o nariz, erguerão o sobrolho, ou controlarão delicadamente um tremor no corpo ao ouvir a palavra.
Por delicadeza, dirão apenas em pensamento “É consciencializar!” ou de forma mais direta “Estes povos incultos não conseguiram absorver a alta cultura de que éramos mensageiros!“.
Pelo menos no caso desta palavra, a estória não é bem assim: não se trata de corruptela produzida por ignorantes.
“Conscientizar” é resultado do pensamento de Paulo Freire, como atesta nesta pequena crônica o escritor português Onésimo Teotónio Almeida, que conheceu Paulo Freire e foi seu tradutor para o inglês.
Os portugueses continuam usando “consciencializar“.
O Procurador e os Caxixó

Seu Zezinho Caxixó
Fomos advertidos por representantes da FUNAI sobre um grupo de militantes caxixós: “Esses caxixós não se pautam por padrões éticos”. Segundo a FUNAI, queriam ser índios apenas para obter vantagens escusas e benefícios do Estado, e mesmo diante de um laudo antropológico que lhes negava o reconhecimento de uma identidade étnica distinta da maioria da sociedade brasileira.
por Álvaro Ricardo de Souza Cruz em Reconhecimento étnico em exame: dois estudos sobre os Caxixó
A integração subalterna do Brasil à economia mundial: as atuais estatísticas econômicas estão sendo “fabricadas”?
Dito de forma mais didática ainda…
Os aparelhos ideológicos do Estado Brasileiro têm obtido relativo sucesso na tarefa de convencer a população brasileira (inclusive grande parte dos partidos e organizações de esquerda) de que o crescimento do mercado interno é produto de sua política social de distribuição de renda. Sem distribuir ou democratizar, no entanto, os fatores de produção desta renda, mantendo a transferência de valor do trabalho ao capital por meio de uma estrutura tributária regressiva e sem garantir o crescimento do poder de compra dos salários dos trabalhadores, o governo se vê obrigado a retirar a remuneração dos lucros de suas estatísticas para poder assim produzir uma diminuição da desigualdade social que é ilusória.
Prosavanaleaks: Vazamento revela que projeto brasileiro em Moçambique “é um paraíso para as grandes empresas” do agronegócio

Marcos Antônio M., Project Manager na Vigna Brasil, com passagem pela Bunge e Bayer. A Vigna Brasil presta consultoria para empresas do agronegócio e sua diretoria participa da equipe da Fundação Getúlio Vargas responsável por elaborar o Plano Diretor do Prosavana e gerir o fundo de investimentos Nacala.
Grupos da sociedade civil moçambicana obtiveram acesso a documentos produzidos pelo Brasil e até agora secretos (ou pelo menos, não divulgados) relacionados ao desenvolvimento do projeto Prosavana.
Fica agora mais clara a orientação pela implementação do modelo do agronegócio brasileiro em Moçambique.
Os documentos foram produzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a responsável pela elaboração do Plano Piloto do projeto e pela administração do fundo de investimento Nacala.
Perfil do investimento chinês em África
Estudo produzido pela ONG Center for Global Development and AidData (Centro para o Desenvolvimento Global e Dados sobre Cooperação) esmiuça o investimento chinês em África.
De acordo com as conclusões preliminares de alguns veículos de comunicação fora do eixo ocidental, o estudo derrubaria alguns mitos propagados pela concorrência (os países ocidentais, ou seja, Europa e Estados Unidos) de que o investimento chinês nesse continente visaria apenas os seus interesses, seria de natureza essencialmente extrativista (portanto, neocolonial) e perpetuaria regimes corruptos.
Um singelo retrato da militância governista no Brasil
“Não houve remoção violenta alguma no Maracanã hoje”
Dois comentários de militantes petistas a respeito da desocupação violenta da Aldeia Maracanã [1], que reflete de forma cristalina os valores éticos e políticos atualmente em vigor no Brasil.
Só para registrar.
Vinho, Coca-Cola e Kalashnikovs
Catembe
| Meilitro de palheto e uma coca-cola
É a medida certa que o oceano trasfega Em nossas barrigas de funge e carapau. Neste tempo de candonga catembe é o mais santo Estase de sábado. A televisão vai dando Missa de Elton John que nós somos mesmo Universais pela picada impoluta Do dólar e da cultura nacional. Só as kalashnikovs paridas em 61 Desconhecem a química do Catembe: Vão-se alfabetizando enquanto folheiam Nossas barrigas de funge e carapau. José Luís Mendonça* |
Segue glossário de termos angolanos e entrevista com o autor.
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Porque o Governo brasileiro – e agora a FAO – defendem o agronegócio: de novo, o Modelo de Geração de Emprego do BNDES

A nova geração de soja geneticamente modificada Roundup Ready da Monsanto: Intacta RR2.
Sem a Monsanto, a técnica do plantio direto, um dos carros-chefe da Embrapa, não funciona. (A relação plantio direto <-> Embrapa <-> Monsanto será abordada aqui no blog, em breve)
De acordo com a definição de agronegócio adotada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO),
Agronegócio refere-se às atividades empresariais coletivas que vão da plantação ao prato na mesa. Abrange o fornecimento de insumos agrícolas, a produção e a transformação de produtos agrícolas e a sua distribuição aos consumidores finais. O agronegócio é um dos setores que mais emprego e renda geram a nível mundial. (The importance of agribusiness. FAO)
Esta definição é a mesma que aparece num estudo do BNDES inicialmente produzido entre 1996 e 1997 [1] e que tem vindo a ser atualizado [2] e, principalmente, utilizado [3] como ferramenta de tomada de decisões políticas, até hoje (2013).
Ali Kamel (Rede Globo) v. Azenha (Blogueiros Progressistas): Condenação por difamação deverá ser anulada
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A decisão da juíza Juliana Benevides de Barros Araujo (ver aqui a íntegra da decisão da juíza), que obriga o jornalista Luiz Carlos Azenha a pagar pesada multa ao diretor geral de jornalismo da Rede Globo Ali Kamel por danos morais deverá ser anulada se o jornalista recorrer.
Em caso semelhante e muy recente, outro jornalista, Paulo Henrique Amorim, foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal nas seguintes bases:
O fim do Google Reader e a crescente privatização da Internet

Os RSS feeds e seus programas agregadores/leitores são o equivalente virtual dos jornais, com a grande vantagem de que é o usuário que elege as suas fontes preferidas.
O fim do Google Reader parece ser mais um passo – pequeno, mas significativo – na crescente tendência à comercialização da Internet, ou, sob o prisma oposto, na redução crescente dos “espaços públicos” nela existentes.
Se havia uma relativa tranquilidade dos usuários quanto à gratuidade de serviços da Google, como o Google Reader, o mesmo já não se pode dizer a respeito das suas alternativas.
O corporativismo* de certa mídia alternativa no Brasil

(Comentário ao texto de Antônio Francisco Magnoni em O Escrevinhador) (também aqui)
Se há alguma garantia de diversidade por parte dos assim denominados “blogueiros” (de forma genérica e imprecisa, desconsiderando a diversidade existente nessa categoria da mídia), certamente não virá dos autodenominados blogueiros progressistas, ligados – organicamente ou não – ao PT e/ou ao governo federal (portanto, à miríade de interesses que lhe dá forma e conteúdo).
Perversão voluntária: reality show, kapital e delação premiada

“Enquanto a brutalidade dos reality shows é escancarada e ninguém parece se importar com isso (..), o sofrimento que se desenrola no mundo do trabalho não tem visibilidade em razão de sua privatização. Apenas quando esse mal nosso de cada dia toma proporções de “escândalo” podemos entrever o que se passa a portas fechadas, como no caso dos suicídios de trabalhadores da France Telecom (aqui e aqui). Tais casos não são a exceção, mas a regra do trabalho no capitalismo flexível, como apontam inúmeros estudos da sociologia do trabalho a respeito dos mais diversos setores produtivos. As avaliações nas empresas, por exemplo, não passam de delação premiada; processos seletivos se tornaram gincanas, das mais às menos humilhantes, todas elas despropositadas; o assédio moral entre trabalhadores se tornou problema estrutural; isso para não falar nas tantas gambiarras jurídicas a fim de burlar as leis trabalhistas…“
por Silvia Viana em Reality Show: mais real do que se gostaria. (Monde Diplomatique Brasil, 01/03/2013)
Internacionalização do renmibi: troca de divisas entre Brasil e China poderá ser anunciada em breve

Segundo o Financial Times, depois de aproximadamente nove meses de gestação, Brasil e China poderão anunciar em breve uma troca de divisas no valor de 190 bilhões de renmibis – ou 30 bilhões de dólares.
O anúncio poderá ser feito durante a conferência dos Brics na próxima semana. Hong Lei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse na sexta-feira que um acordo seria assinado “em breve”.
Se isto acontecer, será mais um exemplo de uma lenta e progressiva internacionalização do renmibi.
Em artigo de maio de 2012, o mesmo Financial Times, analisava essa tendência (e fazia o seu lobby pela flexibilização da conta de capital da China) sob a perspectiva de quem obviamente defenderá o dólar numa possível guerra de divisas (Ler China diz que “está preparada” para uma guerra de divisas. G1, 02/03/2013)
Segue o artigo em tradução para o português.
Blogosfera brasileira respira aliviada: decisão do Supremo Tribunal Federal protege opiniões contundentes a respeito de figuras públicas

O gráfico acima representa o número de pedidos de remoção de conteúdo feitos pelo Governo brasileiro ou pela Justiça brasileira entre 2010 e 2013. Com a decisão do STF, muitas destas remoções podem muito provavelmente ser agora consideradas, simplesmente, censura e, como tal, sujeitas portanto a revisão. (Clique no gráfico para ampliá-lo)
Decisão recente do Ministro do Supremo Tribunal Federal – instância máxima da Justiça brasileira – assegura a liberdade de expressão quando esta é exercida por veículos de comunicação social em tom de “crítica severa, dura ou , até , impiedosa” a pessoas públicas.
Diz o Ministro Celso de Mello:
Por que Dilma falou de discordâncias em discurso de homenagem a Chávez?
Fonte: TV NBR
É o que mostra o artigo aqui republicado do cientista político e brasilianista canadense Sean W. Burges, O Brasil como líder regional: enfrentando o desafio Chávez.

































