Matutações

"Somente a História nos instrui sobre o significado das coisas" (Milton Santos)

Fanon… de novo.

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O que vem sendo dito aqui no blog, com insistência quase enfadonha, quando vem da pena de um David Harvey, ganha um reforço tragicamente alentador:

Fanon, é claro, choca muitos humanistas liberais com o seu endosso de uma violência necessária e a sua rejeição da via conciliatória. Como, ele pergunta, a não-violência é possível numa situação estruturada pela violência sistemática exercida pelos colonizadores? Que sentido tem uma população faminta declarar greve de fome? Porque, como Herbert Marcuse perguntava, deveríamos ser persuadidos pelas virtudes de tolerância para com o intolerável? Num mundo dividido, onde o poder colonial define os colonizados como sub-humanos e malvados por natureza, a conciliação é impossível.

Não levanto a questão da violência aqui, tampouco o fez o próprio Fanon, porque não sou ou ele que era favorável a ela. Ele a sublinhou porque a lógica das situações humanas tão frequentemente se deteriora a ponto de não restar nenhuma outra opção. Até Ghandi reconheceu isso.

(Harvey: a violência nas ruas e o fim do capital, post no Blogue da Boitempo)

Written by Gustavo Lapido Loureiro

03/08/2014 at 12:18

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A origem da criminalização social e racial no Brasil: o racismo científico de Viveiros de Castro, João Vieira de Araújo e Nina Rodrigues

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Nada há de mais profundamente desigual do que a igualdade de tratamento entre indivíduos diferentes.

Esmeraldino Bandeira

Os juristas adeptos da Escola Positiva, ao longo de toda a Primeira República, irão propor, e por vezes realizar, reformas legais e institucionais que buscarão ampliar o papel da intervenção estatal.

[..] o grande desafio consistia em “tratar desigualmente os desiguais” e não em estender a igualdade de tratamento jurídico-penal para o conjunto da população. A introdução da criminologia no país representava a possibilidade simultânea de compreender as transformações pelas quais passava a sociedade, de implementar estratégias específicas de controle social e de estabelecer formas diferenciadas de tratamento jurídico-penal para determinados segmentos da população. Como um saber normalizador, capaz de identificar, qualificar e hierarquizar os fatores naturais, sociais e individuais envolvidos na gênese do crime e na evolução da criminalidade, a criminologia poderia transpor as dificuldades que as doutrinas clássicas de direito penal, baseadas na igualdade ao menos formal dos indivíduos, não conseguiam enfrentar, ao estabelecer ainda os dispositivos jurídico-penais condizentes com as condições tipicamente nacionais.

[..] o estudo dessa e de outras correntes cientificistas – que tiveram grande presença no debate intelectual brasileiro sobretudo na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX –, além de esclarecer um momento importante de nossa história intelectual, pode contribuir igualmente para repensarmos as práticas discriminatórias ainda presentes no campo jurídico-penal em nosso país.

por Marcos César Alvarez, sociólogo, 2002

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

24/04/2014 at 19:19

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Trêlêlê e democracia

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Trêlêlê – caso amoroso informal; conversa íntima; namorico

Reproduzimos abaixo trecho de uma entrevista dada à Rede Brasil Atual pelo escritor moçambicano Mia Couto para reforçar a mensagem que Matutações há tempos vem martelando: o discurso que reveste a aproximação recente do Brasil com os países africanos, especialmente os lusófonos, é uma construção ideológica com propósitos outros, e corre o risco de se tornar ridículo. [1]

Aproveitamos para incluir também outro trecho da entrevista sobre um assunto menos abordado aqui, mas do qual nos alinhamos igualmente à análise do escritor moçambicano: o significado dos protestos de Junho de 2013.

Segue.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

07/04/2014 at 09:00

A mudança do paradigma britânico de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento

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Justine Greening na Bolsa de Valores de Londres. Como disse um dos maiores filósofos brasileiros, "Quem gosta de pobreza é intelectual, pobre gosta é de luxo"

Justine Greening na Bolsa de Valores de Londres. Como disse um dos maiores filósofos brasileiros, “Quem gosta de pobreza é intelectual, pobre gosta é de luxo”

Pequena análise sem a menor importância sobre a mudança do paradigma britânico (e, por extensão, do G8) de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

18/02/2014 at 12:41

Confiem em nós, que governamos bem“: historieta da burguesia portuguesa e suas perenes relações com o poder

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Alguns esclarecimentos para quem não está a par da história portuguesa recente.

  • Aos 19:57, ao som de Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, o narrador, embora não se refira explicitamente, está a falar do período revolucionário pós 25 de Abril (a Revolução dos Cravos), e das expropriações/estatizações que então ocorreram nesse curto intervalo socialista; as imagens de militares e a referência a Golpe Militar estampada na capa de um jornal lido por uma pessoa na rua referem-se a um golpe militar sim, mas de orientação marxista, e não de direita, como estamos acostumados a pensar;

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14/01/2014 at 14:37

Marco Civil da Internet: Neutralidade da rede à brasileira

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"Eu acredito que a nova redação do Marco Civil da Internet mantém a Neutralidade da Rede"

“Eu acredito que a nova redação do Marco Civil da Internet mantém a Neutralidade da Rede”

A nova redação do Marco Civil da Internet quer acabar com a oposição das empresas de telecomunicação ao projeto de lei.

Parece ter conseguido.

Com a inclusão de um novo princípio para o uso da Internet no Brasil, as teles dizem que agora são a favor da transformação do projeto em lei.

O novo princípio diz:

VIII – a liberdade dos modelos de negócios promovidos na Internet, desde que não conflitem com os demais princípios estabelecidos nesta Lei

Segundo um ativista defensor da Neutralidade,

nao adianta fazer do Marco Civil uma especie de Constituicao com um texto generalizado e ambiguo ou com uma serie de artigos e paragrafos que permitem chicanas. Porque neste caso nenhum tribunal vai poder impedir uma pratica nociva ao consumidor porque cai em “modelo de negoco”, porque ira’ concluir que ultimamente quem decide e’ o consumidor pelo leque de ofertas a seu dispor – mesmo segregando-o economicamente. Entao isso seria interpretado como interferir na livre iniciativa. “Modelos de negocio” entao implica possibilidade de segregacao economica que se traduz em pacotes de acesso a servicos diferenciados.

Fora este comentário bastante lúcido, impera o mais tenebroso silêncio onde se esperava encontrar reação e luta.

Written by Gustavo Lapido Loureiro

12/12/2013 at 12:30

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A legitimidade da violência e a defesa da “sociedade”

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Os vídeos abaixo não são exibidos em aparelhos da Apple (iPads, iPods e similares).

Luiz Eduardo Soares: legitimidade do ódio

Delegada Martha Rocha: a defesa da sociedade

Quer gostemos ou não, a violência é legitimada no Brasil há mais de 500 anos.

Mais precisamente, há 513 anos e 6 meses, se considerarmos o intervalo entre a data da chegada dos fedorentos marujos portugueses e a data de publicação deste comentário.

Mais uma vez o espírito de Fanon, teórico de um certo tipo de violência (que não foi ele quem inventou, é bom que se note), paira no ar, límpido e cristalino.

Contra a legitimidade de uma sociedade fundada na violência (invasão, usurpação, roubo, escravidão, racismo, etc), a legitimidade da revolta.

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18/10/2013 at 19:52

História da educação pública brasileira: Anísio Teixeira

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

28/09/2013 at 10:58

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Entre a cruz e a espada: Neutralidade da Rede ameaçada pelas medidas antiespionagem?

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Switches Datacom DM4000: a súbita vantagem competitiva da indústria de hardware brasileira pode ser o calcanhar-de-Aquiles da Neutralidade da Rede.

Switches Datacom DM4000: a súbita vantagem competitiva da indústria de hardware brasileira pode ser o calcanhar-de-Aquiles da Neutralidade da Rede.

Artigo da Bloomberg (ver aqui ou aqui) sugere que entre as medidas do governo brasileiro para aumentar a blindagem contra a espionagem dos Estados Unidos figura o estímulo à adoção de equipamentos de rede de fabricação nacional, em vez das tradicionais marcas líder de mercado, como uma Cisco.

Isso faz todo o sentido já que é sabido desde 2006 que a NSA conseguiu incluir um algoritmo de criptografia num daqueles padrões técnicos que todos os fabricantes seguem quando lançam novos produtos, e que esse algoritmo permitia que “alguém”, de posse de uma chave secreta, conseguisse decifrar qualquer informação criptografada por ele. Inúmeras marcas como a já citada Cisco passaram a embutir nos seus equipamentos de rede esse algoritmo.

O artigo da Bloomberg nomeia duas empresas brasileiras fabricantes de equipamentos similares que estão bem posicionadas nesse processo de substituição de equipamento estrangeiro por nacional: a Datacom e a Padtec SA.

A questão surge quando se sabe que a Datacom adotou o novo padrão  Redes Desenvolvidas por Software, ou SDN, na sigla em inglês.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

20/09/2013 at 15:35

Auto-engano: como apoiar um governo capitalista sem perder o conveniente status de marxista?

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Ser ou não ser, eis a questão.

Ser ou não ser, eis a questão.

A resposta está dada no título da entrevista feita pelo canal de notícias Viomundo (que apóia o governo capitalista social-democrata do PT): inventando o conceito de “capitalismo não-iníquo”. (Ver aqui ou aqui)

Evidentemente, nem Marx nem nenhum marxista convicto e verdadeiro aceitaria este conceito.

A novidade e a inovação de Marx foi, justamente, a de escrutinar o funcionamento do sistema capitalista, mostrando a sua iniquidade intrínseca, e articular um sistema teórico novo: o socialismo científico (ou marxismo, ou comunismo).

O título, “Caio Toledo: O marxismo viverá enquanto perdurar o capitalismo iníquo” pode ser lido de duas formas:

  • O marxismo viverá enquanto perdurar o capitalismo“. Aqui, a palavra “iníquo” seria uma redundância, um pleonasmo, apenas para reforçar o fato de que o capitalismo é iníquo por natureza;
  • O marxismo viverá enquanto perdurar o capitalismo iníquo, mas quando o capitalismo deixar de ser iníquo, talvez o marxismo perca a razão de ser“. Aqui,”iníquo” tem a função de estabelecer uma categoria do capitalismo, a do “capitalismo iníquo“, sugerindo implicitamente, portanto, que pode existir um “capitalismo não-iníquo“.

Ou seja, um artifício (a ambiguidade, o duplo sentido) largamente utilizado pela mídia convencional, da qual  mídias alternativas como o Viomundo pretendem se distanciar.

Em resumo: como apoiar um regime capitalista sem perder o status de marxista, esta é a intenção do título e da entrevista.

Mas não a do entrevistado e do coletivo Marxismo21, que negam, como se vê abaixo, essa hipótese:

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

16/09/2013 at 10:52

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Boicote ao software e hardware estadunidense! Como a NSA decifra o tráfego da Internet

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Não é só <i>Matutações</i> que faz apelo ao boicote. Bruce Schneier, especialista em Segurança da Informação também. Clique na foto para ler o que ele diz (em inglês) no Guardian

Não é só Matutações que faz apelo ao boicote. Bruce Schneier, especialista em Segurança da Informação também. Clique na foto para ler o que ele diz (em inglês) no Guardian

Artigo do guru em criptografia Bruce Schneier, escrito em 2007 (!!!), já mostrava como a NSA tinha especificado e imposto ao mercado um padrão de criptografia com uma porta de entrada especial.

Os recentes vazamentos sobre a NSA, em que fica evidente a capacidade da agência em decifrar o tráfego criptografado da Internet, estão sendo considerados por muitos os mais graves.

É que os algoritmos de criptografia são a base da segurança das informações que trafegam na Internet.

Além disso, ao conseguir promover o seu algoritmo “furado” à categoria de padrão, o que a NSA fez foi conseguir massificá-lo, torná-lo referência para fabricantes de hardware e software. Uma série de produtos de hardware e software passaram a ser produzidos com esse algoritmo a bordo, facilitando em muito o trabalho da NSA.

Além do artigo de Schneier, publicamos também uma lista de marcas de software e hardware contendo o algoritmo “furado” da NSA. É assustador verificar como inúmeras marcas famosas o utilizam.

É o momento de se considerar seriamente a possibilidade de um boicote a qualquer produto de hardware/software produzido pelos EUA e seus aliados, principalmente por clientes em que a segurança da informação é um requisito mandatório.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

12/09/2013 at 20:12

A falsa independência do Brasil: uma leitura fanoniana

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Rio de Janeiro no início do século XX.<br />O saudosismo do "Rio Antigo" é o saudosismo da pax burguesa de uma elite colonial que insiste, até hoje, em vangloriar a estética alheia. (No caso, a francesa)

Rio de Janeiro no início do século XX.
O saudosismo do “Rio Antigo” é o saudosismo da pax burguesa de uma elite colonial que insiste, até hoje, em vangloriar a estética alheia.
(No caso, a francesa)

A Independência do Brasil não tem nada a ver com libertação nacional.

Em 7 de setembro de 1822, a burguesia brasileira estabeleceu, unilateralmente, um novo arranjo político-administrativo na forma de se relacionar com os demais povos: não mais obedeceria à burocracia administrativa de Lisboa.

E apenas isso.

Internamente, nada mudou.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

07/09/2013 at 15:01

Médicos cubanos no Brasil: choque de paradigmas

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Desresponsabilizamo-nos pela nossa vida e pela nossa morte, entregando-nos passivamente à indústria da doença: não sabemos mais viver mas, sobretudo, não sabemos mais morrer.

Desresponsabilizamo-nos pela nossa vida e pela nossa morte, entregando-nos passivamente à indústria da doença: não sabemos mais viver mas, sobretudo, não sabemos mais morrer.

Excelente entrevista de um médico brasileiro sobre a polêmica que envolve a importação de médicos estrangeiros, principalmente, cubanos: Médico brasileiro dá boas vindas aos cubanos: Que eles ajudem no “resgate do raciocínio clínico” (Aqui ou aqui).

É um conflito de paradigmas muito bem vindo, que joga luz sobre a forma como entregamos nossos corpos e almas, como produtos, a uma linha de montagem (ou de desmontagem, dependendo do caso) de uma fábrica da cura (mas também da doença), onde a reação dos médicos brasileiros é apenas a ponta do iceberg.
A lógica do sistema privado de saúde – que cresce a olhos vistos, e para onde a suposta classe C anseia (e vai) migrar – não é o mais perfeito exemplo disso que o doutor (e os cubanos) denuncia?
Há alguma perspectiva de que essa tendência à privatização/mercantilização/”tecnologização”/”comodificação” da saúde e da doença vá mudar?
O setor privado de saúde dos americanos e de outros países desenvolvidos já se apercebeu do “novo mercado” em potencial que desponta no Brasil, e começa a fazer as suas aquisições (Amil, uma das maiores operadoras privadas de planos de saúde, vendida para a UnitedHealth americana)
Quanto às comparações com o sistema cubano, por mais simpatia que possamos ter pelas opções políticas desse país e a forma com que aborda a saúde e a doença, seria bom ter acesso a números que comprovem a sua eficácia, sem os quais depoimentos como os do Dr. aqui na entrevista terão pouca serventia.

Written by Gustavo Lapido Loureiro

28/08/2013 at 10:20

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Governo brasileiro condena relatório que aponta riscos associados ao consumo de plantas transgênicas

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Gilles-Eric Séralini em audiência simultânea na Comissão de Desenvolvimento Sustentável e Comissão de Desenvolvimento Social, na Assembleia Nacional da França, outubro de 2012. Vídeo em francês, sem legendas

Parecer da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) condena relatório que aponta riscos associados ao consumo de plantas transgênicas, feito pela equipe do pesquisador Gilles-Eric Séralini.

É o relatório de Séralini, por sua vez, que fundamenta outro relatório, o Levantamento e análise de estudos e dados técnicos referentes ao consumo de plantas transgênicas: o caso do NK603, elaborado pelo pesquisador Gilles Ferment, patrocinado pela FAO e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário do Brasil, e com destaque recente na blogosfera. No seu relatório, Ferment também cita a réplica de Séralini (e de pesquisadores que o apoiam) às críticas a seu relatório.

Em resumo, o que Séralini parece dizer – e Ferment defende – é que, se há fragilidades metodológicas no seu estudo, elas também estão presentes em alguns estudos que levaram à aprovação da comercialização de plantas transgênicas:

De fato, um protocolo experimental desenhado com esse número de animais conduz a limitações estatísticas, em especial em relação à potência estatística do experimento. Essa constatação é plenamente conhecida pela equipe do Professor Séralini, que até publicou um artigo científico criticando as limitações desta amostragem já que praticamente impedem a identificação de efeitos estatisticamente significativos (Spiroux de Vendômois et al., 2009). Entretanto, Séralini et al. (2012a) justificam a adoção dessa potência estatística baixa no âmbito de obter maior aceitação do estudo, seguindo uma metodologia que já se mostrou aceita pelos proponentes da tecnologia e pelas agências de avaliação do risco de OGM. (FERMENT, Gilles, Levantamento e análise de estudos e dados técnicos referentes ao consumo de plantas transgênicas: o caso do NK603, 2013, FAO)

Segue o parecer do CTNBio sobre o relatório de Séralini.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

13/08/2013 at 19:23

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Relato de uma utopia socialista e educacional em África: Aquino de Bragança e o primado da política

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Aquino de Bragança

Aquino de Bragança

Não é só a África que tem a aprender com o Brasil.

As riquíssimas e muitas vezes dramáticas experiências do processo revolucionário de descolonização iniciado em meados do século passado, hoje quase esquecidas no turbilhão diário de acontecimentos que nos mantém  presos aos horizontes estreitos da nossa realidade imediata, são uma amostra de que a importância da África vai muito além dos seus recursos naturais e da sua tradicional e tão decantada riqueza cultural – tão decantada que acaba, muitas vezes, na repetição de estereótipos.

O texto que segue fala de um daqueles não-africanos africano até os ossos: Aquino de Bragança.

Nascido na então colônia portuguesa de Goa, na Índia, foi em Moçambique que deu a sua vida pela construção de uma nova sociedade, livre das amarras subjetivas e objetivas operadas pela submissão colonial e póscolonial.

O texto é um depoimento emocionado da historiadora italiana Anna Maria Gentili, que teve a oportunidade e o privilégio de trabalhar com Aquino nesse processo de autoconhecimento.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

06/08/2013 at 19:58

As Estátuas Também Morrem legendado

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A pedido do coletivo Présence Africaine, os dois jovens cineastas que eram Alain Resnais e Chris Marker iniciaram, em 1950, a realização de um filme sobre a arte negra. As Estátuas Também Morrem é um filme que deve ser inserido no contexto da colonização, e de sua contestação por certos pensadores como Cheikh Anta Diop, Aimé Césaire, Léopold Sédar Senghor, Price Mars, Alioune Diop e Frantz Fanon. No seu lançamento, o filme é censurado,  mas precede de perto a Conferência de Bandung, que reúne representantes de países pobres e proclama a vontade de acabar com o colonialismo, mas também o Primeiro Congresso de Escritores Negros realizado na Sorbonne em 1956 e, dez anos mais tarde, o Primeiro Festival de Artes Negras em Dakar. Os autores desnudam os mecanismos de opressão e de aculturação, denunciam a museificação do mundo e a mercantilização da arte empreendida pelos brancos.

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30/07/2013 at 20:19

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Discurso de João Pedro Stédile no Haiti

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Stédile discursando para camponeses no Haiti. (Clique para ampliar)

Stédile discursando para camponeses no Haiti.
(Clique para ampliar)

Trecho do discurso de João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), proferido para centenas de agricultores haitianos durante o congresso comemorativo dos 40 anos do Movimento Camponês Papay (MPP), realizado em 18 de março de 2013.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

30/07/2013 at 19:37

Boicote ao novo Maracanã!!!

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O Novo Maracanã. (Clique para ampliar)

O Novo Maracanã.
(Clique para ampliar)

O meu filho é botafoguense.

Eu sou flamenguista.

Para o Flamengo x Botafogo de domingo, a melhor opção para nós seria, portanto, comprar ingressos nos setores centrais superiores, porque misturam as duas torcidas e costumam ser mais baratos, apresentando, ao mesmo tempo, uma boa visão do jogo.

Para tanto, eu teria que desembolsar

  • R$ 160,00 pelo meu ingresso
  • R$ 80,00 pelo meio ingresso do meu filho

o que dá um total de R$ 240,00.

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

27/07/2013 at 12:43

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Espionagem: os cabos submarinos e a possível colaboração de aliados dos EUA

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A transparência que mostra os dois modelos de monitoramento que, juntos, pretendem capturar grande parte da comunicação internacional, tanto de voz quanto de dados (Internet incluída).

A transparência que mostra os dois modelos de monitoramento que, juntos, pretendem capturar grande parte da comunicação internacional, tanto de voz quanto de dados (Internet incluída).

A revista New Yorker publicou recentemente um artigo (What the N.S.A. Wants in Brazil) que pode explicar o destaque do Brasil no esquema de espionagem revelado por Edward Snowden.

O artigo já foi digerido e noticiado por aqui.

O blog de Renato Cruz resume o artigo no post A espionagem no Brasil.

O portal Terra diz: Rede de cabos submarinos aumenta interesse da Inteligência dos EUA pelo Brasil.

O que ambos não citam do artigo da New Yorker é que três ex-funcionários do governo estadunidense declararam que parte dos documentos vazados por Snowden (considerados por Glenn Greenwald como as “jóias da Coroa”), provavelmente contem detalhes das relações dos Estados Unidos com agências de inteligência estrangeiras, o que seria algo explosivo porque revelaria aliados ocidentais empreendendo práticas de monitoramento que talvez violem leis e estatutos existentes nesses países.

E já que o assunto é os cabos submarinos que tocam em solo brasileiro, há outros que vale mencionar, além do cabo citado pela New Yorker:

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Written by Gustavo Lapido Loureiro

26/07/2013 at 17:08

A grandeza da luta para “não ter poder”

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António Cabrita

António Cabrita

Nada mais apropriado, a esta altura dos acontecimentos, do que a crônica do escritor luso-moçambicano António Cabrita:

 A mesma liberdade também se patenteava no jesuíta Richard Wilhelm, tradutor do «I Ching» para o Ocidente, ilustrada quando afirmou que aquilo que mais se orgulhava na vida fora, em trinta anos de missionarismo na China, nunca ter feito uma conversão ao cristianismo.
É desta grandeza humana que estamos necessitados, da qualidade de gente que se dispõe à luta para “não ter poder”.

Written by Gustavo Lapido Loureiro

25/07/2013 at 11:40